segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Nova Teoria da Gravidade dispensa Matéria Escura

Apesar dos inúmeros esforços, nenhum sinal da Matéria Escura foi detectado até hoje.[Imagem: NASA]
Gravidade Emergente
Uma nova teoria da gravidade consegue explicar os curiosos movimentos das estrelas nas galáxias sem precisar apelar para a matéria escura.
Batizada de "gravidade emergente" por seu autor, a nova teoria prediz exatamente o mesmo desvio de movimentos que o modelo cosmológico padrão explica inserindo a elusiva e nunca detectada matéria escura.


O professor Erik Verlinde, da Universidade de Amsterdã, na Holanda, um especialista renomado em Teoria das Cordas, acaba de publicar um artigo no qual ele expande suas visões inovadoras sobre a natureza da gravidade, que ele começou a esboçar em um artigo publicado em 2010.
Segundo Verlinde, a gravidade não é uma força fundamental da natureza, mas um fenômeno emergente. Da mesma forma que a temperatura surge do movimento de partículas microscópicas, a gravidade emerge das mudanças de unidades fundamentais de informação, armazenados na própria estrutura do espaço-tempo. 


Lei de Newton da informação
Em seu artigo de 2010, Verlinde mostrou como a famosa Segunda Lei de Newton - que descreve como as maçãs caem das árvores e os satélites artificiais permanecem em órbita - pode ser derivada desses blocos fundamentais microscópicos. Estendendo seu trabalho anterior, e incorporando melhorias publicadas por outros físicos desde então, Verlinde agora mostra como entender o comportamento das estrelas nas galáxias, que parecem girar rápido demais.


A velocidade das estrelas é tão grande que é necessário haver uma força gravitacional extra para explicar porque elas não são arremessadas para fora das galáxias - a matéria escura é o componente teórico que foi adicionado à teoria para responder por essa "gravidade faltante". Contudo, até agora, as supostas partículas de matéria escura nunca foram observadas, apesar de esforços e experimentos milionários para detectá-las.

"Não há necessidade de matéria escura"
De acordo com o professor Verlinde, não há necessidade de adicionar uma misteriosa partícula de matéria escura à teoria. Sua teoria da gravidade emergente prediz com precisão as velocidades com que as estrelas giram em torno do centro da Via Láctea, bem como o movimento das estrelas dentro de outras galáxias. "Temos evidências de que esta nova visão da gravidade realmente concorda com as observações," defende ele. "Em grandes escalas, ao que parece, a gravidade simplesmente não se comporta da maneira que a teoria de Einstein prevê".


À primeira vista, a teoria de Verlinde tem características semelhantes a outras teorias modificadas da gravidade, como a MOND (Modified Newtonian Dynamics, ou Dinâmica Newtoniana Modificada). No entanto, onde a MOND ajusta a teoria para coincidir com as observações, a teoria de Verlinde começa a partir dos chamados primeiros princípios, sem qualquer necessidade de ajuste.
E seus cálculos batem com as observações mais recentes, publicadas no mês passado, e que também parecem dispensar a necessidade da matéria escura:

 
Princípio holográfico
Um dos ingredientes da teoria de Verlinde é uma adaptação do Princípio Holográfico, introduzido por seu professor Gerard Hooft (Nobel de Física de 1999, Universidade de Utrecht) e Leonard Susskind (Universidade de Stanford). De acordo com o Princípio Holográfico, toda a informação em todo o Universo pode ser descrita sobre uma esfera imaginária gigante ao seu redor.


O professor Verlinde afirma que essa ideia não está totalmente correta: parte da informação em nosso Universo está contida no próprio espaço. Essa informação extra é necessária para descrever aquele outro componente escuro do Universo: a Energia Escura, que é considerada responsável pela expansão acelerada do Universo - outra hipótese que está sob fogo cerrado.


Ao estudar os efeitos dessa informação adicional sobre a matéria ordinária, Verlinde chegou a uma conclusão impressionante: Enquanto a gravidade ordinária pode ser codificada usando a informação na esfera imaginária ao redor do Universo, o resultado da informação adicional no volume do espaço é uma força que bate perfeitamente com aquela hoje atribuída à matéria escura.
"Podemos estar à beira de uma nova revolução científica," afirma Erik Verlinde. [Imagem: NWO/Arie Wapenaar]
À beira de uma revolução científica
A gravidade está mesmo precisando urgentemente de novas abordagens como a de Verlinde, uma vez que ela não combina com a bem-sucedida física quântica. Ambas as teorias, as joias da coroa da Física, não podem ser verdadeiras ao mesmo tempo, com os problemas emergindo vigorosos em condições extremas: perto de buracos negros, ou durante o Big Bang.
"Muitos físicos teóricos como eu estão trabalhando em uma revisão da teoria, e alguns grandes avanços vêm sendo feitos. Podemos estar à beira de uma nova revolução científica, que mudará radicalmente nossa visão sobre a própria natureza do espaço, do tempo e da gravidade," concluiu Erik Verlinde.


Fonte: Inovação Tecnológica

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